quarta-feira, 13 de setembro de 2017

[Evento] Bate-papo com Gayle Forman em SP



Olá, leitores!

Para quem não sabe, a autora Gayle Forman esteve presente na Bienal do RJ e além disso participou de um evento em SP e Curitiba. Domingo (10) teve evento aqui em SP através da Galera Record e foi incrível! Estou até agora encantada com a fofura e simpatia da autora.

Nesse evento teve um bate-papo de 30 minutos com ela e eu trago agora para vocês as perguntas que aconteceram nesse papo e algumas fotinhos do evento. Espero que vocês gostem!





Algumas perguntas contém spoiler do livro Se Eu Ficar.

*spoiler*
Gayle, por que você matou o Ted?
- Por duas razões: O primeiro motivo é a história que inspirou o livro que tem a ver com a morte de alguns amigos e a inspiração do livro veio porque toda essa família que eu conhecia morreu, mas uma das crianças, assim como o menino Ted, ele viveu algumas horas a mais e foi levado para o hospital. E eu sempre me perguntei se ele sabia que todos da sua família tinham morrido. O segundo motivo que se o Ted tivesse vivo, Mia não teria que escolher entre ficar ou partir. Mas quando a família toda se foi, Mia está sendo puxada em outra direção e todas as coisas que ficaram como violoncelo e Adam estão puxando ela nessa direção. Eu chorei o tempo todo escrevendo esse livro, mas principalmente na cena em que Ted se vai.

Você acha que o filme é fiel ao livro?
- Eu fiquei satisfeita. Eu sabia que iriam focar mais no romance com Adam e a Mia e fiquei triste que a relação da família ficou em segundo plano. Mas os personagens tinham o mesmo sentimento que os personagens do livro. Porém tem uma parte do filme que eu odeio, mas os fãs gostam. Eu odeio a parte que o Adam canta para a Mia. Eu acho brega! Lutei muito contra essa cena, mas ele mantiveram da mesma forma.

E vamos ter o segundo filme?
- Não vai ter com a Chloe, mas vai ter porque os fãs estão pedindo. Provavelmente terei novidade final do ano. Eu acho que as pessoas acreditam que o livro acabou indefinido. Mas quando "se eu ficar" virou filme, ainda não tinha o segundo livro. Eu não pretendia escrever o segundo livro, não era para ser uma série. Terminei "se eu ficar" e estava escrevendo um livro totalmente diferente, no meio da noite quando estava terminando o outro livro, Adam e a Mia apareceram dizendo: "o que vai fazer com a gente?" e eu falava: "fiquem quietos, você são fictícios". Só que eu não conseguia parar de pensar nisso. Sabia que eles tinham um ano difícil pela frente, então por isso deixei a outra história de lado. Estou tentando uma solução porque estão sempre me perguntando do segundo filme. Entendo como as pessoas são apegadas com os personagens, mas eu também sou. Vamos encontrar uma forma de contar essa história.

*minha pergunta para Gayle*
Qual foi sua maior inspiração para escrever "quando eu parti"?
- Ser mãe. Aquela sensação que preciso que alguém tome o controle, mas com a sensação de se eu largar o volante, o carro vai bater. Há uns 5 anos, viajando, estava com amigos que tinham filhos da mesma idade que a minha, e eu estava jantando na praia, um jantar lindo, eu me retirei da mesa e fui para o quarto onde tinha um sinal de celular e pesquisei: "sintomas de ataque cardíaco; como saber se eu estou morrendo?" Porque eu estava sentindo dores no peito e a minha mãe teve problemas cardíacos muito cedo e estava convencida que iria precisar operar o coração. Não estava preocupada em ir para o hospital, porque eu só pensava: "se eu tiver que operar, quem vai cuidar dos meus filhos? Quem vai cuidar de mim?" Eu estava com medo, com raiva e comecei a escrever como vingança. Depois disso coloquei o livro um pouco de lado, mas 3 anos depois ele voltou e eu quis usar essa premissa para falar sobre conflitos do casamento e da maternidade hoje em dia pois muitas mulheres trabalham fora de casa e tem muitas responsabilidades, mas ainda são totalmente comprometidas com as tarefas domésticas. Não só fugir de casa, mas também fugir das responsabilidades.

Você pensa em criar uma história em que o personagem principal seja um homem?
-Eu estou trabalhando nisso e tem três personagens principais: dois são homens e uma mulher, mas eles tem 19 anos, não sei se isso qualifica como homem. Mas prefiro escrever sobre os personagens masculinos.

De todos os seus livros, qual é o seu favorito?
- "Se eu ficar" ele é muito especial para mim e a Mia é como se fosse uma filha. Quando eu estava escrevendo sobre os meus amigos era como se eles estivessem comigo. Mas ainda tenho um lugar especial para o livro "para onde ela foi".



Quando você teve a ideia de ser escritora e qual sua dica para quem quer escrever?
- Nunca foi o sonho da minha vida me tornar escritora, ao menos era o que eu achava. Desde que eu estava inventando histórias na minha cabeça, assim que aprendi escrever eu estava escrevendo essas histórias, escrevendo poesias. Eu sou formada em jornalismo, mas nunca achei que seria uma romancistas. Foi quase um acidente. Quando eu tive a primeira filha, eu não poderia viajar como viaja como jornalista, então alguém sugeriu: "por que você não escreve um livro para jovens?" E eu achei a ideia incrível.
A minha dica é: não se preocupe se você não tem um livro publicado, quanto mais experiência você tem, mais assuntos você tem para usar no seu livro. Leia muito porque tudo que você lê, você absorve. E tem essa uma teoria nos EUA que você precisa fazer uma coisa por 10 mil horas para se tornar bom naquilo, então se permita escrever um bando de porcaria. Até hoje eu acho que escrevo porcaria. 
E a segunda parte do meu conselho é que quando eu estava na escola, eu tinha que memorizar e recitar poesias, e sei recitar até hoje, e eu não percebi isso na época, mas tem algo que falar poesias em voz alta, seu ouvido se acostuma com a língua que é importante para escrever. Antes de entregar um livro para a editora, eu leio meus livros em voz alta. Você escuta coisas que não iria perceber e acho que recitar poesias todos esses anos me ajudou bastante.

Qual sua parte favorita de Se Eu ficar?
- Tem as partes felizes e alegres que são especiais. E tem as partes destruidoras, que me mata, mas meu momento favorito é muito pequeno. Um dos momentos que me fez chorar foi quando eu estava escrevendo, mas talvez vocês não tenham chorado ao ler. É quando o pai da Mia sai da banda e isso me deixou completamente chateada e eles não se falam durante um tempo. E eu escrevi "se eu ficar" depois de ficar com a minha filha em casa durante 3 anos. Assim que ela foi para a pré-escola, eu sentei para escrever o livro. Uma grande parte do livro é o grande sacrifício que fazemos pelos filhos sem perceber na hora. Nesse aspecto não é tão diferente de "quando eu parti".

*spoiler*
Você sempre pensou em matar a Mia ou desde o começo ela já tinha decidido aquele final?
- Eu não sabia o que iria acontecer até a metade do livro. A questão estava na minha cabeça desde o acidente, mas nunca pensei em escrever um livro sobre isso. Mas aí eu acordei um dia e Mia estava lá. Ela tinha olhos e cabelos escuros, tocava violoncelo e eu não sabia nada sobre isso, e eu sabia que o final do livro seria ela decidindo, mas não sabia o que iria decidir até a metade do livro.

O que devemos esperar de "quando eu parti"?
- Duas coisas, primeiro a coisa ruim. É menos sexy. É sobre pessoas de meia idade casadas, ao contrário dos personagens jovens. Por isso amo escrever para jovens adultos, porque esses personagens sabem o que estão sentindo, não sabem porque estão sentindo, mas eles são muito intensos. A Maribeth enterrou os sentimentos dela e isso causa todos os problemas da personagem. Mas continua sendo um livro com todos os sentimentos presentes e todos os personagens falhos; não há vilão, há amor, tem um pouco de sexo e tem dois personagens que são jovens adultos e quando escrevi sobre eles pensei: "meus velhos amigos!" E pensei que quando escrevi esse livro, achei que grande parte dos leitores seriam mulheres, mas uma coisa curiosa aconteceu porque comecei a ouvir de mulheres mais novas e homens que estavam se sentindo assim como a Maribeth e que também queriam fugir e foi ainda mais universal do que eu achei.

Você gosta da canção "two days" que toca em "se eu ficar"?
- Eu gosto dos originais ainda mais. Durante a filmagem, quando filmaram duas cenas com Adam, foi muito divertido ver a banda tocar; cada um tocando o seu instrumento. Eu fui para o ensaio com a banda e eu acho que uma coisa legal sobre o filme, mais que o livro, é que traz a banda de rock para a vida.

No final de apenas um ano ficou um pouco vago. Há algum conto?
- Existe um conto nos EUA chamado "só uma noite". Eu publiquei porque os fãs estavam tao chateados sobre o final. São apenas 50 páginas e não sei se foi traduzido. Mas posso ver com os editores para traduzirem e colocar esse conto de graça para vocês.




Sobre a autora eu posso dizer que ela é INCRÍVEL! Pensa em uma pessoa simpática; agora multiplica por mil! Gayle é essa pessoa.

Quando chegou o meu momento de pegar o autógrafo com ela, eu disse que estava lendo "quando eu parti", mas estava bem no comecinho. Gayle foi até uma determinada página e me disse: "a partir daqui você irá chorar". E foi esse o motivo do meu autógrafo. Mulher encantadora.

O evento foi incrível! A autora deu muita atenção para os fãs e isso foi o que mais me conquistou. Se eu já adorava a Gayle, agora então, adoro mais! Obrigada Galera Record pela oportunidade de conhecer uma pessoa tão doce quanto ela.

Não havia fotógrafo no evento. Então todas as fotos postadas aqui são de autoria do blog! Se utilizarem, por favor, dê os créditos!

2 comentários:

  1. Oi!
    A Gayle é um amor né?Não imaginava tamanha simpatia dela,foi uma experiência incrível poder conhecer um pouquinho mais dela,mesmo na correria da Bienal.
    Caramba o bate-papo rendeu hein kkkkkkkkkk
    Adorei as perguntas,os autógrafos (ela se supera nos autógrafos kkkkkkkk)
    Esperamos que ela volte em breve por aqui!
    Beijos!

    http://livreirocultural.blogspot.com.br/

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    1. É uma pessoa realmente incrível! Eu já esperava que ela fosse simpática, porém ela superou todas as minhas expectativas.
      E foi um ótimo bate-papo mesmo haha. Ela é a dona dos melhores autógrafos e como gosta de conversar... adorei!
      Também espero que ela volte em breve. Precisamos de mais Gayle!

      Beijos.

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