domingo, 11 de outubro de 2015

[Resenha] A Menina que Fazia Nevar

Escritora: Grace McCleen
Editora: Paralela
Páginas: 312
Sinopse: "Milagres não têm que ser grandes e podem acontecer nos lugares mais improváveis. Às vezes são tão pequenos que às pessoas nem percebem. Às vezes os milagres são tímidos. Ficam puxando as suas mangas, esperando você percebê-los, e depois somem. Muitas coisas começam bem pequenas. É um jeito bom de começar porque ninguém nota. Você é só uma coisinha perambulando, cuidando da própria vida. Aí você cresce.Bem alto lá no céu os flocos de neve nascem. Quando caem na terra, são tão leves que vêm de lado. Mas os flocos encontram seus irmãos e aí eles se juntam Se muitos deles se juntas, começam a rolar. Se rolarem bastante, carregam as cercas, as árvores, uma pessoa, uma casa."
"Era uma vez um homem e uma mulher. Quando eles se conheceram, faíscas voaram, meteoros colidiram, asteroides deram cambalhotas e átomos se dividiram. Ele a amava daqui até a eternidade, ela o amava daqui até a lua e voltando. Eles eram unha e carne, cara e coroa, linha e agulha." (pág. 169) 
 O livro conta a história de Judith, uma garotinha de 10 anos que vive com o pai, é órfã de mãe e vive muito sozinha já que não tem amigos.

Ela possui uma maquete, que chama de "Terra Gloriosa", onde construiu a cidade onde mora e os habitantes, projetando um tipo de paraíso, tudo feito de sucata e itens descartáveis, como forma de passar o tempo. Até que um dia Judith cobre a maquete com espuma branca, e para sua surpresa, a cidade amanhece coberta de neve. Judith associa o ocorrido a um milagre, acredita ter poderes "divinos" mas não imagina a responsabilidade que teria sobre suas ações.

Judith sofre bullying constantemente na escola nas mãos do intragável Neil Lewis, pois como só fala de religião, não tem amigos e é considerada a esquisita da turma. Ela ainda é tratada com descaso pelo próprio pai, que concentrou a frustração e todas as energias que lhe restaram de forma fervorosa  na religião, por ter perdido a esposa, que teve complicações no parto, e ter ficado incumbido de cuidar da filha sozinho. E talvez a vida dela poderia ter sido salva, mas a religião proíbe transfusão de sangue. Ela cresceu acreditando que o pai não a ama pois a culpa pela mãe ter morrido é dela, e em vez do cara tratá-la com amor e carinho, é distante e faz com que o ambiente familiar fique extremamente tenso.



A menina se encontra constantemente sozinha e deprimida, vive pra rezar, espera pelo Apocalipse a qualquer momento e passa a ter um amigo imaginário, que apesar de ser fruto de sua imaginação, é o próprio Deus que a leva a acreditar que todas as tragédias que acontecem na cidade é culpa dela e do poder que ela tem sobre sua maquete, e que ela ainda deve responder pelas escolhas que faz, como se fosse uma criminosa.

Em geral, é um livro que faz pensar, tanto pela questão da fé, dos milagres, da questão social, das injustiças do mundo e de tudo que é feito em excesso. Para mim, não foi um dos melhores livros, mas talvez pessoas com outro tipo de visão sobre o assunto vejam outro tipo de mensagem na história, ou aproveitem melhor.

Avaliação: ♥ 

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